O Projeto REDD Vale do Rio Apiacás protege florestas nativas em seis propriedades rurais privadas no município de Paranaíta, no extremo norte do estado de Mato Grosso. Implementado sobre um mosaico de floresta tropical densa e aberta — o mesmo bioma que sustenta a maior bacia hidrográfica do planeta —, o projeto une conservação ambiental rigorosa e viabilidade econômica para o produtor rural que opera dentro da lei.
A iniciativa é classificada como REDD AUDD — Evitando Desmatamento e Degradação Não Planejados — sob o Verified Carbon Standard (VCS), programa da Verra. Seus Créditos de Carbono (VCUs) são gerados contra uma linha de base conservadora, derivada de modelagem espacialmente explícita do risco de desmatamento, estoques de carbono estratificados por tipo florestal e dados de atividade auditados por terceiros.
A Bacia do Rio Apiacás é reconhecida como corredor de biodiversidade de importância estratégica para a Amazônia Sul-Ocidental. A região abriga espécies ameaçadas como onça-pintada (Panthera onca), ariranha (Pteronura brasiliensis), harpia (Harpia harpyja) e diversas espécies de primatas e aves endêmicas. A preservação das áreas florestadas do projeto garante a integridade de nascentes e cursos d’água que abastecem comunidades rurais e alimentam o sistema Teles Pires–Tapajós.
O projeto também promove capacitação contínua dos produtores em práticas de manejo sustentável, regularização ambiental (CAR/APP/Reserva Legal) e monitoramento florestal, gerando empregos locais em atividades de fiscalização, manutenção de aceiros e resposta a incêndios.
Paranaíta e seu entorno concentram alguns dos maiores índices históricos de desmatamento do norte mato-grossense. A valorização fundiária acelerada, a expansão da malha viária — incluindo trechos da BR-163 e seus ramais —, a proximidade com polos de soja e pecuária e a ocupação irregular de áreas de floresta pressionam continuamente os produtores que detêm reservas florestais em conformidade com o Código Florestal.
Antes do projeto, as fazendas participantes enfrentavam a ausência de incentivos econômicos para manter florestas intactas. O REDD Vale do Rio Apiacás cria exatamente esse incentivo: a floresta em pé passa a gerar receita, tornando a conservação uma opção economicamente racional e duradoura.